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quinta-feira, 19 de junho de 2014

Escatologia

A palavra escatologia vem do grego éscatos (o último estado) e lógos (ensino, preceito, doutrina, palavra que encerra ideia), significando, portanto, doutrina das últimas coisas.
 I – Introdução
Antes de qualquer análise específica cabe enfocar que há muita diversidade de interpretações do material escatológico, e dentre estas, há muita afirmação antibíblica gerada por influência de teólogos contemporâneos que negaram expressamente qualquer possibilidade de um retorno literal de Cristo em pessoa à terra para o estabelecimento de um reino milenal. Isto seria de ser esperado porque o apóstolo Pedro afirma que nos últimos dias viriam escarnecedores com os seus escárnios, andando segundo as próprias paixões e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda? (II Pe 3.3,4). Assim, estes teólogos que negam expressamente a possibilidade de uma segunda vinda de Cristo à terra, devem ser contados entre estes escarnecedores que são citados pelo apóstolo Pedro, e são dignos de serem chamados falsos mestres, conforme ele os designa nesta mesma epístola.
A título de ilustração podemos incluir entre estes um teólogo chamado Adolph Van Harnack, que há alguns anos atrás, escreveu um livro intitulado O que é o Cristianismo?
Segundo ele a vinda do reino de Deus significa simplesmente o governo de Deus na alma e nos corações das pessoas, é o próprio Deus no seu poder. Deste ponto de vista desaparece todo o sentido externo e histórico e também todas as esperanças relativas ao futuro. Adolph Van Harnack está dizendo que não há nenhuma Segunda Vinda, não há nenhum Reino futuro. Ele rejeitou completamente todos os aspectos escatológicos do Reino de Deus. 
Outro teólogo muito famoso é C.H. Dodd que escreveu um livro chamado Parábolas do Reino. Este livro influenciou muitos teólogos contemporâneos. E se você fosse tentar entender Dodd mais completamente, você chegaria à conclusão que ele nega qualquer literal Segunda Vinda de Jesus Cristo. C.H. Dodd ensinou que a doutrina da Segunda Vinda é um mito.
Karl Barth, criador famoso do que chegou a ser conhecido como Neo-ortodoxia, afirmou o que ele chama de escatologia infinita na qual a vinda de Cristo é compreendida como um retorno literal futuro de Cristo, mas Barth disse que ela é um  símbolo infinito de uma eternidade infinita em toda situação existencial de tudo aquilo que tem significação no mundo.
Rudolph Bultmann, também famoso entre estudantes de teologia, esforçou-se por aquilo que ele classificou de desmitolizar o Novo Testamento,  porque segundo ele, o Novo Testamento está repleto de elementos mitológicos que devem ser reinterpretados, e não serem, portanto interpretados literalmente, como céu, inferno, a ressurreição e a segunda vinda de Cristo, e o dia do juízo final.
Outro dos que negam uma segunda vinda literal de Cristo é o alemão Jergen Moltmann. Ele coloca a segunda vinda de Cristo em seus escritos como uma tolice.
Estes homens entre outros de um pequeno grupo, influenciaram a teologia moderna contemporânea da igreja de tal forma, que muitos que negam o cumprimento literal dos eventos escatológicos, pelo menos olham para isto com certa desconfiança. Mas os apóstolos não tinham este mesmo pensamento, e nos alertaram sobre aqueles que se levantariam nos últimos dias negando não apenas a segunda vinda de Cristo, como também o cumprimento dos juízos escatológicos relatados na Palavra de Deus, porque Pedro, no texto que citamos assim prossegue, referindo-se aos falsos mestres que negavam tal cumprimento na história: “Porque deliberadamente esquecem que, de longo tempo, houve céus, bem como terra, a qual surgiu da água e através da água pela palavra de Deus, pelas quais veio a perecer o mundo daquele tempo afogado em água.
“Ora, os céus que agora existem, e a terra, pela mesma palavra têm sido entesourados para fogo, estando reservados para o dia do juízo e destruição dos homens ímpios.” (II Pe 3.5-7).
Paulo, em I Tes 4.13-17 fala de uma ressurreição do corpo literal, de um arrebatamento dos crentes literal, e de uma segunda vinda de Jesus também literal (I Tes 5.2; II Tes 2.1,2). É preciso, pois ficar com a Palavra de Jesus, com a dos apóstolos na Bíblia, e não nos deixarmos influenciar pelas ideias desviadas da verdade de tais teólogos. 
Uma das principais razões pelas qual Satanás tenta através destes seus instrumentos desacreditar a literalidade dos eventos escatológicos, é para enfraquecer os corações dos crentes e tirar deles qualquer esperança de uma recompensa futura, de um tempo de julgamento, e até do extremo de chegarem a duvidar se existe mesmo um céu real para onde irão depois da morte.
Se não há um reino, se não há um juízo, uma recompensa, de que vale se esforçar para viver fielmente segundo a vontade de Deus revelada na Palavra?
É esta incerteza que Satanás procura gerar nos corações daqueles que deixam de crer na revelação da Bíblia por influência destes falsos mestres, contra os quais o próprio Senhor e os apóstolos nos ordenaram que nos acautelássemos dos mesmos e do seu ensino.  
A negação da verdade pelos falsos mestres é usada por Satanás para tentar abalar a fé dos crentes na Palavra, mas tem boa acolhida pelos falsos mestres porque tal negação serve para justificar a sensualidade e carnalidade dos mesmos, tal como Pedro os descreve no segundo capítulo de sua segunda epístola.
O escárnio deles é construído na moralidade pervertida deles. Eles querem uma escatologia que se ajuste à conduta deles. Toda a perversão moral entre pessoas religiosas tem que ter uma teologia que lhes dê base para as suas afirmações e vidas. Assim eles desenvolvem uma teologia para permitir a perversão deles. Por exemplo, os que amam os prazeres terrenos e que vivem para acumular tesouros na terra, na condição de líderes na igreja haverão certamente de elaborarem uma teologia voltada para a prosperidade material, investindo-se tempo e esforços somente com as coisas deste mundo, desviando assim a atenção das realidades eternas.
Há, portanto, da parte de Deus, na revelação dos eventos escatológicos, um propósito de chamar o seu povo à vigilância para um viver reto, purificando o coração do pecado, porque haverá um tribunal para os crentes; e também para convencer os ímpios da necessidade de conversão, porque haverá um juízo final e uma condenação eterna num lugar de tormentos terríveis. Os crentes são chamados a se purificarem para que sejam achados inculpáveis na vinda do Senhor. Há um reino que será estabelecido em justiça e em santidade, por isso todo aquele que tem tal esperança deve viver em santo trato e piedade (II Pe 3.11-13).
Um estudo correto de escatologia deve produzir este efeito do temor devido a Deus nos corações, além do regozijo em se valorizar tudo aquilo que é relativo ao reino de Deus e que é eterno. De modo a sermos estimulados em nossa caminhada terrena, especialmente em meio às nossas tribulações, a permanecermos firmes na fé, por sabermos o que nos está reservado no futuro.
Jesus voltará para reunir o seu povo com Ele. Ele virá para condenar os homens maus e os demônios. Ele virá para estabelecer o seu Reino e para trazer a justiça eterna. A restauração de todas as coisas se dará com o retorno do Senhor à terra.

II – O Princípio das Dores
Jesus chamou de princípio das dores ao conjunto de sinais que antecederiam a sua segunda vinda, e que se estenderiam até ao tempo determinado para a consumação do século, que será marcado pela pregação do evangelho em todo o mundo, para testemunho a todas as nações (Mt 24.14), e à manifestação do abominável da desolação do qual falou o profeta Daniel, no lugar santo (Mt 24.15). 
Quando os discípulos perguntaram a Jesus quais seriam os sinais da Sua vinda e da consumação do século (Mt 24.2), o Senhor começou a lhes responder a partir do verso 4 de Mt 24. E introduziu sua explicação com uma palavra de advertência para que eles não permitissem que ninguém lhes enganasse quanto a isto, porque muitos se levantariam com este propósito afirmando serem o Cristo (verso 5) e enganariam a muitos. E, além disto, haveria guerras e rumores de guerras, mas nenhuma destas coisas seriam sinais do tempo do fim (Mt 24.6), e nação se levantaria contra nação, reino contra reino, e haveria fomes e terremotos em vários lugares, mas tudo isto seria também o princípio das dores que antecederiam a consumação do século e não sinais que marcariam a proximidade da Sua segunda vinda (24.7,8). No trabalho da igreja no mundo, os crentes seriam atribulados e mortos. Odiados de todas as nações por causa do nome de Jesus, e muitos se escandalizariam, trairiam e se odiariam uns aos outros, e dentre os próprios crentes se levantariam muitos falsos profetas que enganariam a muitos.
A iniquidade se multiplicaria e o amor de quase todos se esfriaria. Mas em meio a tudo isto o evangelho será pregado por todo o mundo, e quando isto acontecer, quando a última nação for evangelizada, será determinado por Deus a marcha de todos os eventos previstos para a consumação do século (Mt 24.9-14). Todos estes sinais correspondentes ao princípio das dores são comparados por Jesus como as primeiras contrações de um parto. E elas vão se intensificando cada vez mais à medida que se aproxima a hora do nascimento. E tudo isto terá o seu clímax no chamado período da Grande Tribulação que precipitará todas as ocorrências que culminarão com o retorno do Senhor (Mt 24.15-31).
É digno de nota que o Senhor nos alertou que sempre haveria falsos cristos e falsos profetas operando no mundo. Isto nos chama a sermos criteriosos e vigilantes, não dando crédito a qualquer um que alegue estar falando a nós da parte de Deus. Falsos mestres e falsas doutrinas têm sido espalhados pelo mundo, e isto podemos aprender na história da igreja e em nossos próprios dias. E assim, o  Senhor nos alerta para que não deixemos ninguém nos desviar da verdade.
À medida que o tempo do fim se aproxima se multiplicarão os falsos cristos e profetas no mundo, semeando mais e mais a mentira e multiplicando com isto a iniquidade. Note que o Senhor disse que eles farão sinais e maravilhas. Sinais e maravilhas não são, portanto um meio seguro para sabermos se alguém está vivendo e pregando a verdade, porque os falsos cristos e profetas os realizarão em abundância. 
Mateus 24.6, fala de guerras e rumores de guerras. E que é necessário que isto ocorra, e por isso não devemos ficar alarmados. Mas nada disto é ainda um indicativo seguro do tempo do fim.
No verso 7, Jesus fala de terremotos e fomes em vários lugares. O texto paralelo de Lucas inclui também pestilências.
Isso tudo está em andamento para marcar aquele tempo do fim.  

III – A Intensificação da Perseguição aos Crentes, Próximo e antes do Tempo do Fim 
As perseguições e ódio sofridos pelos crentes durante toda a história da igreja, se intensificarão próximo e antes do tempo do fim. E isso é mundial e precipitará o que está em Mt 24.10. A pressão é tão grande da parte do mundo que começa a massacrar os crentes que algumas pessoas que se identificaram superficialmente com Jesus Cristo, e como a semente ficou sufocada pelos espinhos, quando eles virem o preço a ser pago, eles se escandalizarão e não estarão dispostos a pagar aquele preço. Assim eles odiarão os verdadeiros crentes, e os trairão  entregando-os aos seus perseguidores. Eles os delatarão para serem mortos. Isto ocorre frequentemente em países muçulmanos, especialmente nos da chamada janela 10/40, mas se espalhará pelo mundo conforme predito na Palavra. 
Mas os verdadeiros crentes perseverarão até o fim, eles não negarão o seu Senhor, como estes crentes nominais que trairão a muitos dos crentes autênticos, especialmente no período da Grande Tribulação.
Em Mt 24.11 lemos que muitos falsos profetas surgirão e enganarão a muitos. Não falsos cristos agora, mas falsos mestres. E estes falsos profetas vão ensinar um erro infernal diabólico, satânico.  
Agora olhe o verso 12 que diz, que por se multiplicar a iniquidade o amor de quase todos esfriará. Alguns fogem porque eles não pagarão o preço exigido pela fidelidade a Cristo. Alguns fogem porque eles são enganadores. E alguns retrocedem porque eles optaram pela iniquidade, que significa que eles violam a lei de Deus. Nós vemos isto começando a se multiplicar em nossos dias.
E, II Tim 3, Paulo descreve as características das pessoas dos últimos dias. Há vinte anos tais características não eram tão pronunciadas em todas as pessoas do mundo como nos dias atuais, e isto irá num crescendo.
Mas os crentes, que permanecerem fiéis em meio a tudo isto ganharão a sua alma pela  perseverança, como está afirmado em Lc 21.19. 
Estes reinarão com Cristo eternamente.
A última característica destas dores de parto que indicam o retorno do Senhor é a pregação do evangelho em todo o mundo em testemunho a todas as nações. Antes que o fim venha, importa que o evangelho seja pregado em todo o mundo, a toda criatura.
Apesar da perseguição, apesar das traições, apesar dos falsos cristos e profetas, apesar do inferno que lança os seus demônios por toda a terra, apesar do esfriamento do amor de muitos, apesar de guerras, fomes, terremotos, pestilências, o evangelho do Reino será pregado em todo o mundo. E então o Reino virá.  

IV – A Grande Tribulação e o Anticristo
O engano citado em Mt 24.4,5, culminará com o maior engano de todos na pessoa do Anticristo que agirá pela eficácia de Satanás, enganando a muitos, que depositarão nele inteira confiança para a resolução dos problemas mundiais. Ele será o último falso salvador que o mundo verá. O último falso messias. Por isso é chamado de Anticristo, porque é um cristo falso.
O abominável da desolação citado em Mt 24.15 é uma referência à profanação, pelo Anticristo, do templo que ainda será reconstruído em Jerusalém. Esta  é citada em Daniel 9.27.  
Agora, o que é o lugar santo?
Algumas pessoas dizem que é a terra. Algumas pessoas dizem que é a  cidade de Jerusalém.
O que é o lugar santo?
Há somente outro uso dessa frase em todo o Novo Testamento e encontra-se em Atos 21:28. E o Lugar Santo era um dos ambientes do tabernáculo e do templo de Jerusalém.  
A profecia de Daniel 11.31 teve um primeiro cumprimento na pessoa de Antíoco Epifânio, e terá um último cumprimento na pessoa do Anticristo:
“Dele sairão forças que profanarão o santuário, a fortaleza nossa, e tirarão o sacrifício costumado, estabelecendo a abominação desoladora.”
 A primeira parte de Daniel 11 descreve fatos que já tiveram cumprimento na história, e a parte posterior se refere a coisas que ainda terão cumprimento no tempo do fim. E o verso 31 trata de um duplo cumprimento, e historicamente já se cumpriu entre 175 e 165 a.C. correspondente ao governo do rei sírio Antíoco. Ele se chamava Epifânio, que quer dizer "o grande.". Ele foi um grande perseguidor do povo de Israel, sendo assim um tipo perfeito do Anticristo. Ele tentou acabar com a religião judaica e matou milhares e milhares de judeus, inclusive mulheres e crianças. Ele profanou o templo entrando nele e matando um porco no altar e obrigando os sacerdotes a comerem a sua carne.
Além disso, ele colocou a imagem de um deus grego no templo, provavelmente Zeus. E com o templo assim profanado os judeus deixaram de apresentar seus sacrifícios no mesmo. O sacrifício diário determinado pela lei foi completamente parado. E foi exatamente isso que Daniel profetizou cerca de 400 antes, que ele faria (11:31). Assim o templo ficou desolado, por causa daquela abominação, isto é, daquele ato detestável aos olhos de Deus e do Seu povo. O Anticristo também profanará o templo que será reconstruído, para afrontar os judeus e o Deus de Israel, e pelo mesmo efeito de rejeição que isto produzirá tal como no passado, nos dias de Antioco Epifânio, diz-se que será uma abominação desoladora. E é por isso que ao se referir à profecia exclusiva ao Anticristo em 9.26,27, Daniel usa as palavras desolação e abominação para se referir aos atos do Anticristo.
Em Daniel 9.24-27 temos a conhecida profecia das setenta semanas. São setenta semanas de anos. Referem-se, portanto a 490 anos, sendo que a profecia estabelece dois períodos distintos, um que vai desde a “saída da ordem para restaurar e edificar Jerusalém até o Ungido, ao Príncipe” são sessenta e nove semanas, isto é 483 anos. E depois da morte do Ungido se levantaria um príncipe que governaria por uma semana (a septuagésima semana) e que faria cessar o sacrifício e a oferta de manjares no meio da semana (versos 26,27).
A profecia determina então um período “para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a iniquidade, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia, e para ungir o Santo dos Santos.” (9.24). Isto está vinculado de fato a duas fases: ao primeiro advento de Cristo trazendo a graça e a redenção para os habitantes da terra, e ao seu segundo advento para estabelecer o seu reino de justiça na terra. Por isso, determinou-se para Daniel o prazo para a primeira vinda de Jesus, e também o prazo que determinaria a sua segunda vinda, que está relacionada ao período da Grande Tribulação que será precipitada no governo de sete anos do Anticristo, e que corresponde à septuagésima semana da profecia de Daniel. Esta semana é isolada das demais 69 que se cumpriram no primeiro advento de Cristo, porque Israel tem permanecido endurecido até hoje à recepção de Jesus como o Salvador e Messias. E será exatamente no tempo do fim que se voltarão para o Senhor como nação para a sua redenção. Daniel queria saber de Deus quando acabaria o cativeiro de Israel, e quando este seria firmado como nação e reino sacerdotal, conforme havia sido prometido por Deus desde Moisés. E a resposta de Deus foi dada com a profecia das setenta semanas, porque Daniel pensava que uma vez findo os setenta anos de cativeiro babilônico, conforme havia sido profetizado por Jeremias, Israel seria estabelecido como reino de Deus na terra.    
Desde a “saída da ordem para restaurar e edificar Jerusalém até o Ungido, ao Príncipe” temos 69 semanas, isto é, 483 anos. O decreto para a reconstrução do templo e da cidade de Jerusalém foi baixado em cerca de 450 a.C. A contagem vai, portanto até a morte de Jesus, e não até o seu nascimento, porque somando-se 33 a 450 temos os 483 anos referidos na profecia. E de fato,  “para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a iniquidade, para trazer a justiça eterna” conforme se encontra registrado na profecia, isto somente seria possível com a morte de Jesus. E por isso a profecia de Daniel faz referência à morte do Senhor.
Mas  “para selar a visão e a profecia, e para ungir o Santo dos Santos” conforme está também na profecia de Daniel haverá necessidade de que o Senhor volte e estabeleça o seu reino na terra, de maneira que o veremos assim como Ele é, e o que é em parte será aniquilado. As visões e as profecias terão tido o seu cumprimento, e já não andaremos somente por fé, mas também pelo que veremos. Hoje não há um único ser humano perfeito vivendo na terra, porque mesmo o maior dos santos é pecador e ainda está sujeito ao pecado em razão da natureza terrena. Mas, quando o Senhor voltar e nós com Ele em glória, todos seremos perfeitos, assim como Ele é perfeito.
O plano de Deus de restaurar a criação original terá cumprimento na volta de Jesus, e no estabelecimento do seu reino milenal com os salvos na terra. Deus criou a terra para este propósito, para que fosse herdada pelos justos, pelos que são puros de coração, e sem pecado. Ele cumprirá cabalmente aquilo que planejou desde antes da fundação do mundo.          
Em Daniel 12.11 lemos:
Depois do tempo em que o costumado sacrifício for tirado, e posta a abominação desoladora, haverá ainda mil duzentos e noventa dias.” Isto é, decorrerão três anos e meio para o retorno de Cristo e a consequente destruição do governo do Anticristo, a contar do momento em que for posta a abominação desoladora no Lugar Santo.
Observe que Daniel acrescenta mais 30 dias aos 1260 referidos em Apocalipse 12.6, como tempo da perseguição do diabo aos judeus através do Anticristo durante o período da Grande Tribulação. Isto pode ser explicado pelo fato, de que a profecia de Daniel está enfocando o tempo para o estabelecimento do Reino, e não para o término do governo do Anticristo. Isto demandará o estabelecimento da separação entre os cabritos e as ovelhas, e temos assim uma primeira contagem de um prazo já determinado para o início do estabelecimento do reino.
Em Daniel 12.12 lemos: “Bem-aventurado o que espera e chega até mil trezentos e trinta e cinco dias.” Isto é, 45 depois dos 1290 já referidos. Muitas providências deverão ser tomadas para que a terra seja restaurada a uma condição adequada para o governo dos santos juntamente com Cristo. Para a separação das ovelhas dos cabritos e tudo o mais que for necessário. Haveria assim, provavelmente, um período de transição de 75 dias desde o retorno do Senhor até o estabelecimento do seu reino milenal.
Jesus começou a remover a maldição do pecado da terra. A terra foi restaurada. Em Ezequiel 36.36 lemos:
“Então as nações que tiverem restado ao redor de vós saberão que eu, o Senhor, reedifiquei as cidades destruídas, e plantei o que estava desolado. Eu, o Senhor, o disse, e o farei.”
A palavra de Romanos 8.19-21 terá cabal cumprimento quando da volta do Senhor:
“A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus. Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus.”

Daniel chama o Anticristo de pequeno chifre, o rei com a face feroz, o rei voluntarioso. João o chama de a besta, e Paulo o chama de filho da perdição e homem do pecado. Ele é a culminação de todos os falsos cristos. Ele é tão convincente nisto que Daniel 9:27 diz que Israel fará um pacto com ele, crendo que ele seja o seu libertador e protetor. E todas as nações do mundo, em razão das suas perseguições, vêm a ficar debaixo do seu poder, e ele engana a muitos.  
Ele tem comunhão com os demônios do inferno. Ele é poderoso, mas não pelo seu próprio poder. Ele causará estupendas destruições, prosperará e fará o que lhe aprouver, e destruirá os poderosos e o povo santo (Dn 8.24). Não é o próprio poder dele, é o poder do inferno. Pela astúcia dos seus empreendimentos políticos fará prosperar o engano (Dn 8.25). Ele usa a paz, ele usa a negociação para seduzir o mundo e trazê-lo sob o seu poder.  
No capítulo 11 de Daniel nós descobrimos mais cousas sobre ele nos versos 36-45:
“Este rei fará segundo a sua vontade, e se levantará e se engrandecerá sobre todo deus; contra o Deus dos deuses, falará cousas incríveis, e será próspero, até que se cumpra a indignação; porque aquilo que está determinado será feito.
Não terá respeito aos deuses de seus pais, nem ao desejo de mulheres, nem a qualquer deus, porque sobre tudo se engrandecerá.
Mas em lugar dos deuses honrará o deus das fortalezas; a um deus que seus pais não conheceram honrará com ouro, com prata, com pedras preciosas e cousas agradáveis.
Com auxílio de um deus estranho agirá contra as poderosas fortalezas, e aos que o reconhecerem multiplicar-lhe-á a honra, fá-los-á reinar sobre muitos, e lhes repartirá a terra por prêmio.
No tempo do fim, o rei do Sul lutará com ele, e o rei do Norte arremeterá contra ele com carros, cavaleiros, e com muitos navios, e entrará nas suas terras, e as inundará, e passará.
Entrará também na terra gloriosa e muitos sucumbirão, mas do seu poder escaparão estes: Edom e Moabe, e as primícias dos filhos de Amom.
Estenderá a sua mão também contra as terras, e a terra do Egito não escapará.
Apoderar-se-á dos tesouros de ouro e de prata, e de todas as cousas preciosas do Egito, os líbios e os etíopes o seguirão. Mas pelos rumores do oriente e do norte será perturbado, e sairá com grande furor, para destruir e exterminar a muitos.
“Armará as suas tendas palacianas entre os mares contra o glorioso monte santo; mas chegará ao seu fim, e não haverá quem o socorra.”
E assim, o engano dele é incrível. Na realidade, o engano dele é descrito em maior detalhe em Apocalipse 13. E lá João não o vê com uma face feroz e não como um rei voluntarioso, mas em outra perspectiva, como uma besta. Ele é uma besta que governa sobre  as nações e o simbolismo é muito vívido. Ele é uma besta poderosa. Ele é uma besta devastadora. O verso 5 diz que lhe foi dado 42 meses para agir com autoridade. Isto equivale a três anos e meio, correspondentes à metade final do sete anos referidos em Daniel 9.27 como o tempo total do seu governo.
Assim, ele passará a empreender suas perseguições contra Israel desde a colocação da abominação desoladora no lugar santo, neste período de três anos e meio, correspondente à Grande Tribulação.
Em II Tes 2.3,4, Paulo cita o Anticristo nestes termos:
“Ninguém de nenhum modo vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia, e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus, ou objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus.”
E sobre esta sua arrogância e blasfêmia João também registrou em Apo 13.5,6:
“Foi-lhe dada uma boca que proferia arrogâncias e blasfêmias, e autoridade para agir quarenta e dois meses; e abriu a sua boca em blasfêmias contra Deus; para lhe difamar o nome e difamar o tabernáculo, a saber, os que habitam no céu.”
Também lemos em Daniel 7.8,25 e 11.36:
“Estando eu a observar os chifres, eis que entre eles subiu outro pequeno, diante do qual três dos primeiros chifres, foram arrancados; e eis que neste chifre havia olhos, como os de homem, e uma boca que falava com insolência.” (7.8).
“Proferirá palavras contra o Altíssimo, magoará os santos do Altíssimo, e cuidará em mudar os tempos e a lei; e os santos lhe serão entregues nas mãos, por um tempo, dois tempos e metade dum tempo.” (7.25).
“Este rei fará segundo a sua vontade, e se levantará e se engrandecerá sobre todo deus; contra o Deus dos deuses, falará cousas incríveis,” (11.36). 
Esta exaltação do Anticristo se dará por conta do fato de ter vencido as nações e exercido domínio sobre elas, e de ao subjugar o povo de Israel matando milhares deles, ter se considerado superior ao Deus de Israel, ao ponto de se assentar no templo, proferindo palavras contra o Altíssimo.
Ele incorrerá no mesmo erro do rei Assírio Senaqueribe que se exaltou contra Deus e lhe dirigiu palavras de afrontas em desafio através de Rabsaqué, seu porta-voz (Is 36 e 37). Aliado ao poder obtido sobre as nações e sobre Israel, o Anticristo também terá por motivo de exaltação o fato de ser enganado pelo próprio Satanás e demônios aos quais estava servindo, porque o falso sistema religioso que estará a seu serviço, personificado na pessoa do chamado falso profeta (Apo 13.11-15). Fará uma imagem do Anticristo e a imagem falará, e será determinado que todos adorem a imagem, instituindo-se assim um culto idolátrico, e todo aquele que se recusar a adorar a imagem da besta será morto.
Será tal o sentimento de grandeza e de posse do Anticristo sobre toda a humanidade, que será determinado que todos recebam certa marca sobre a mão direita ou sobre a fronte, para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o nome da besta ou o número relativo ao seu nome que é 666 (Apo 13.16-18).
Muitos poderão estar perguntando, como poderia Israel se aliançar com a besta. No entanto, antes que ele assumisse o controle sobre as nações, revelando o seu caráter maligno, ele deve, pela sua aliança com os israelitas, ter livrado os mesmos da ameaça do mundo árabe. O ódio incurável e histórico do mundo islâmico contra Israel não cessará por qualquer tratado de paz. Daí, possivelmente a razão de Israel ter buscado apoio no poder político que estará em evidência na ocasião sob o governo do Anticristo, tal como os israelitas dependem da sua aliança histórica com os Estados Unidos para a sua segurança no Oriente Médio.
É possível mesmo que nos três primeiros anos e meio de seu governo, que ele seja tido como o próprio messias pelos israelitas, sem que saibam que ele é um falso libertador. 
Em Mt 24.29 o Senhor disse que “logo em seguida à tribulação daqueles dias”, isto é, imediatamente após o período da Grande Tribulação, ocorrerá a Sua segunda vinda, e quando isto se der, o sol escurecerá e a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento e os poderes do céu serão abalados. Isto indica que eventos cataclísmicos antecederão Sua manifestação vindo sobre as nuvens do céu com poder e muita glória.” (verso 30).
Assim, o Senhor virá imediatamente após a Grande Tribulação.
E como mais um sinal da Sua vinda, o Senhor disse na parábola da figueira que deveríamos aprender da lição que ela nos dá, porque quando os seus ramos se renovam, e as folhas brotam, é um sinal de que o verão está próximo. E assim a geração que testemunhasse estas coisas, não passaria sem que tudo aconteça, pois ao virem todas estas coisas saberão que Ele está próximo às portas (Mt 24.32-34).
A figueira dá frutos no verão, e antes que isto ocorra, ela renova suas folhas. Assim, quando a geração que presenciar a Grande Tribulação referida pelo Senhor, precipitada pela profanação pelo Anticristo, do templo que será reconstruído em Jerusalém, ela pode estar certa de que presenciará a volta do Senhor, assim como sabemos que o verão se aproxima quando a figueira renova os seus ramos e as folhas brotam. Assim os sinais estão  reservados para as pessoas que estiverem vivendo no tempo do fim.
A abertura dos quatro primeiros selos citados em Apocalipse corresponde a eventos que estão acontecendo na terra, tipificados nos quatro cavalos e seus cavaleiros. O quinto selo corresponde à determinação da marcha das ocorrências relativas ao tempo do fim, com o clamor daqueles que foram mortos por causa do testemunho de Cristo.
O sexto e sétimo selo correspondem à segunda vinda do Senhor e os eventos que sucederão próximo e durante deste seu retorno.  
Os selos são simbólicos. Um testamento que era deixado a alguém no passado deveria ser lacrado sete vezes segundo a lei romana, e  assim não poderia ser violado sem que fosse percebido. E este é um testamento lacrado. É Deus está legando o mundo a Cristo. E como Ele abre um selo depois de outro, Ele leva de volta o mundo. Cada selo revela que eventos acontecem para que Ele retome o mundo para Si.  
Em Apo 6.4 lemos: 
“E saiu outro cavalo, vermelho, e ao seu cavaleiro foi-lhe dado tirar a paz da terra para que os homens se matassem uns aos outros; também foi-lhe dada uma grande espada.”.
Assim, temos aqui a guerra, e o começo da ordem mundial para uma matança volumosa, que terá o seu ápice nos dias do Anticristo.    
E nos verso 5 e 6:
“quando abriu o terceiro selo, ouvi o terceiro ser vivente, dizendo: Vem. Então vi, e eis um cavalo preto e o seu cavaleiro com uma balança na mão. E ouvi uma como que voz no meio dos quatro seres viventes, dizendo: Uma medida de trigo por um denário; três medidas de cevada por um denário; e não danifiques o azeite e o vinho.” 

Isto se refere a condições de fome. Não há bastante comida para todos e isto é o resultado de guerra.  
Então temos o quarto selo nos versos 7 e 8:  quando o Cordeiro abriu o quarto selo, ouvi a voz do quarto ser vivente dizendo: Vem. E olhei, e eis um cavalo amarelo e o seu cavaleiro, sendo este chamado Morte: e o Inferno o estava seguindo, e foi-lhes dada autoridade sobre a quarta parte da terra para matar à espada, pela fome, com a mortandade e por meio das feras da terra.”. Temos aqui o massacre de um quarto da população do mundo.   
No capítulo 9 de Apocalipse, a partir do verso 13, vemos que um exército de duzentos milhões de soldados saiu pela terra induzidos por quatro anjos que foram soltos e que se achavam atados junto ao rio Eufrates, e que dizimou a terça parte da humanidade.
Apocalipse 13. 7 nos conta outra coisa interessante sobre esta guerra. O poder poderoso nesta guerra, em parte, não é somente das forças demoníacas do inferno e do próprio Satanás, mas do Anticristo, a besta:
“Foi-lhe dado também que pelejasse contra os santos e os vencesse. Deu-se-lhe ainda autoridade sobre cada tribo, povo, língua e nação.”
Assim, é o Anticristo da mesma maneira que nós vimos no Velho Testamento, em Daniel. É ele  que massacra o rei do sul, o exército do norte, derrota o exército do leste, e expande o poder dele mundialmente.
Outra passagem em Apocalipse 16.13,14 revela que três espíritos imundos, operadores de sinais, saem da boca do dragão, da besta e do falso profeta e se dirigem aos reis da terra para congregá-los para a batalha do Armagedom, no grande dia do Senhor, isto é, na segunda vinda de Cristo. Mas o intento deles será marchar contra Jerusalém para devastá-la. E no meio desta batalha Jesus virá e os destruirá.   
Os capítulos 8 e 9 de Apocalipse contêm os juízos relativos ao toque das 6 primeiras trombetas. Estes prenunciam o grande juízo de Deus contra os ímpios, contra a iniquidade que se multiplicou na terra, e serão despejados durante o período de governo do Anticristo e culminarão com a sétima trombeta correspondente à segunda vinda de Jesus, que consumará a destruição final dos ímpios. Somente os que tiverem se convertido durante o período do governo do Anticristo serão poupados.
A igreja terá sido arrebatada antes da Grande Tribulação, não sendo assim, atingida por estes juízos. Será lançado granizo misturado com fogo e sangue à terra. Uma terceira parte das árvores será queimada, e isto vai gerar fome. Uma como que grande montanha em chamas foi lançada ao mar e um terço da vida do mar morreu, e um terço das embarcações foi destruído.  Aqueles que dependem do mar para o seu sustento foram prejudicados. Uma terça parte das águas dos rios e das fontes se tornou amarga, imprópria para o consumo. Uma terça parte do sol, da lua e das estrelas foi atingida, para que a terça parte deles escurecesse, afetando assim o ciclo das estações na terra, prejudicando, sobretudo as atividades agrícolas. 
Tudo isso constitui desastres de proporções volumosas.  
Além disso, ao toque da quinta trombeta corresponderá a soltura de demônios que estavam aprisionados no abismo, e eles atormentarão a terra por cinco meses.
E, no toque da sexta trombeta ocorrerá a destruição da terça parte da humanidade a que já nos referimos pelo exército de duzentos milhões de soldados.
Os capítulos 15 e 16 de Apocalipse descrevem os sete flagelos despejados em taças por sete anjos sobre a terra, com os quais se consumou a ira de Deus. Por meio de Jesus Cristo os crentes são livrados da ira de Deus, e isto é evidência suficiente para afirmarmos que a igreja não passará pelo período da Grande Tribulação, por ter sido arrebatada antes que o Senhor comece a despejar a sua ira sobre os incrédulos desde a abertura dos sete selos e do toque das trombetas. Muitos dos que estavam endurecidos até o arrebatamento da igreja, haverão de se converter durante o período da tribulação porque se diz que por amor dos eleitos, estes dias serão abreviados. A tribulação será, portanto um fator que contribuirá para a sua conversão livrando-os assim dos tormentos eternos do inferno.
Quando o primeiro anjo despejou os flagelos de sua taça, os portadores da marca da besta e adoradores da sua imagem sofreram úlceras malignas e perniciosas. Desde os dias de Moisés, Deus havia prometido que não traria as enfermidades que lançou sobre os egípcios  naqueles que andassem nos Seus estatutos, cumprindo a Sua vontade. Vemos assim que estas úlceras serão visitações de juízos sobre o pecado.
Então, o segundo anjo despejou a sua taça no mar e ele se tornou como o sangue de um homem morto. Você se lembra que no juízo dos selos aconteceu a morte de um terço do mar, mas agora todo o mar é atingido. Isto faz parte da palavra dada por Jesus em Lc 21.25-27:
“Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas, sobre a terra, angústia entre as nações em perplexidade por causa do bramido do mar e das ondas; haverá homens que desmaiarão de terror e pela expectativa das cousas que sobrevirão ao mundo; pois os poderes dos céus serão abalados. Então se verá o Filho do homem vindo numa nuvem, com poder e grande glória.”
 Vemos assim que a precipitação destes juízos será rápida e próxima da vinda do Senhor, dando cumprimento à palavra de que estes dias finais da Grande Tribulação seriam abreviados por amor dos escolhidos. Não temos nisto, portanto, uma sucessão de eventos de grande impacto catastrófico e grande tormento, por um extenso período. São juízos rápidos e sucessivos que precipitarão e coincidirão com o retorno do Senhor, tanto para a consumação da destruição dos ímpios pela liberação da palavra da Sua boca, como para destruir as obras do diabo e do Anticristo, dando início ao Seu reino milenal sobre a terra.
O terceiro anjo derramou a sua taça nos rios e nas fontes das águas, e se tornaram em sangue, e o anjo declarou que Deus é justo por ter julgado estas cousas, porquanto haviam derramado o sangue de santos e de profetas, e assim lhes estava dando sangue a beber porque eram dignos disso (Apo 16.4-7). A humanidade estava apoiando o Anticristo no seu trabalho de destruir aqueles que não estavam aceitando adorá-lo como deus. E o Senhor estava lhes dando a devida paga.
Quando o quarto anjo derramou a sua taça sobre o sol, foi dado ao sol queimar os homens com fogo. Eles não se arrependeram para darem glória a Deus, antes blasfemaram o Seu nome (16.8,9).
O quinto anjo despejou a sua taça sobre o trono da besta, e o reino do Anticristo se tornou em trevas; os homens, por causa das angústias e das úlceras que sofriam, não se arrependeram, mas blasfemaram o Deus do céu (16.10,11).
O sexto anjo derramou a sua taça sobre o rio Eufrates, cujas águas se secaram para preparar o caminho para os reis que vêm do leste, para que pudessem se ajuntar no lugar chamado Armagedom (16.12-16).
E o sétimo anjo derramou sua taça no ar, e sobrevieram relâmpagos, vozes e trovões, e ocorreu grande terremoto como nunca houve igual desde que há gente sobre a terra. A grande cidade se dividiu em três partes e caíram das cidades das nações, e lembrou-se Deus da grande Babilônia, para dar-lhe o cálice do vinho do furor da sua ira.
Toda ilha fugiu e os montes não foram achados. Houve grande saraivada sobre os homens com pedras que pesavam cerca de um talento, e por causa da chuva de pedras, os homens blasfemaram de Deus (16.17-21).
Como vimos, Lucas fala de eventos horríveis, eventos amedrontadores que irão acontecer. Você pode voltar ao capítulo 6 de Apocalipse, e ver ali coisas horríveis como guerra e morte, fomes e massacre. Como o céu começa a se quebrar, como a terra começa a tremer com eventos terríveis. Indo para o capítulo 9, vemos o abismo sem fundo sendo aberto para a libertação de demônios. Os homens serão atormentados por eles, e buscarão a morte, mas a morte fugirá deles. O líder destes demônios (9.11) chama-se em hebraico Abadom, e em grego Apolion, que significa destruidor. Estes demônios levantam um exército terrível.
No capitulo 14, onde também se descrevem coisas que ocorreram próximo e durante a segunda vinda de Jesus. O resultado de todos estes juízos da ira de Deus e da ação direta do Senhor e dos seus anjos quando da sua volta, está relatado no verso 20:
“E o lagar foi pisado fora da cidade, e correu sangue do lagar até aos freios dos cavalos, numa extensão de mil e seiscentos estádios”; isto é, um banho de sangue incrível e inconcebível, pois cobre uma extensão de quase trezentos quilômetros.
A chave de interpretação destes juízos de Apocalipse desde o capítulo 6 ao 19, que tratam da Grande Tribulação e da volta de Cristo está, portanto no entendimento de que tudo o que ali está referido não se dará num longo período de tempo, mas dentro do governo de sete anos do Anticristo, cujos três últimos anos e meio correspondem à chamada Grande Tribulação. Não há, portanto uma sequência cronológica exata das coisas narradas nestes capítulos. João passou a visão das coisas que viu neste período próximo da volta do Senhor.
A referência à queda de Babilônia, designada como grande cidade é possivelmente ao sistema econômico mundial, porque os mercadores da terra prantearam a sua queda. Esta queda se dará depois que o Anticristo tiver se manifestado e em meio a todos estes juízos que estarão sendo despejados sobre a terra. Não se refere, portanto à queda das torres gêmeas do World Trade Center nos Estados Unidos, em setembro de 2001.
Os sinais que ocorrerão no céu e farão os homens desmaiarem de terror, que são citados nos evangelhos pelo Senhor como indicações da proximidade da sua vinda, e que vimos anteriormente em Apocalipse, são também citados no Velho Testamento, como em Joel 2, e que são repetidos por Pedro em Atos 2:
“Mostrarei prodígios no céu e na terra; sangue, fogo, e colunas de fumo. O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor.” (Joel 2.30,31).
Muitos eventos cataclísmicos já acontecem desde há muito sobre a face da terra, mas em nada poderão ser comparados com as coisas que acontecerão próximo da vinda de Jesus, depois que o Anticristo tiver se manifestado.
Os que creem em Cristo têm sido perseguidos e odiados pelo mundo ao longo da história da igreja. Muitos, em várias épocas e locais específicos foram vítimas de perseguições terríveis. Mas nada se comparará à que será empreendida contra os que confessarem a Cristo no período da Grande Tribulação, depois do arrebatamento da igreja. Os que se converterem depois do arrebatamento haverão de sofrer as angústias terríveis relatadas em Mt 24.9,10. Isso excederá todas as outras perseguições. O mundo todo odiará por inspiração do Anticristo tanto os judeus quantos os cristãos.
Depois que a igreja for arrebatada Deus dará duas testemunhas ao mundo, e todos ouvirão a sua pregação do evangelho, e elas serão mortas, mas depois de três dias e meio eles serão ressuscitadas por Deus e serão ascendidas ao céu na nuvem diante do olhar de seus inimigos, e isto trará grande medo sobre muitos, e naquela hora haverá um grande terremoto, e ruirá a décima parte da cidade, e morrerão sete mil pessoas, e as demais ficarão sobremodo aterrorizadas, e darão glória a Deus (Apo 11.11-13). E certamente, muitos dentre estes se converterão ao Senhor, e serão duramente perseguidos pelo Anticristo, juntamente com os judeus, dando cumprimento à palavra profética da destruição dos santos, do povo santo, pela besta. 
Estes que forem massacrados na Grande Tribulação são os que clamam debaixo do altar dizendo:
“Até quando, Ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro, não julgas nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?” (Apo 6.10).
E lhes foi respondido que aguardassem ainda por pouco tempo, até que se completasse o número dos seus conservos e irmãos, que iam ser mortos como eles. Note que na sequência desta visão João descreve que de fato seria muito breve o tempo que eles deveriam aguardar, porque o sexto selo foi aberto e precipitou os juízos finais da cólera de Deus sobre o mundo, tendo antes determinado que se selassem nas frontes os 144.000 servos de Deus de todas as tribos dos filhos de Israel, doze mil de cada tribo. Uma referência provável aos judeus que ainda se converteriam por ocasião da volta do Senhor. Estes, juntamente com os gentios que se converteram no referido período foram vistos em grande multidão que ninguém poderia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos. E um dos anciãos perguntou a João quem eram estes, e o próprio ancião respondeu dizendo: “São estes os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras, e as alvejaram no sangue do Cordeiro.” (Apo 6.9-7.17).
João está descrevendo as coisas que estavam ocorrendo na terra no período da Grande Tribulação, e a conexão destas coisas com o céu. O prêmio do martírio daqueles que estavam sendo massacrados pelo Anticristo foi-lhe revelado por Deus, nestas visões de Apo 6.9-7.17.
No capítulo 12 vemos o dragão perseguindo uma mulher com uma coroa de doze estrelas na cabeça, vestida do sol e com a lua debaixo dos pés. Isto pode ser uma referência aos judeus que fugirão para os montes, seguindo a instrução de Jesus dada em Mateus 24.15-22, em face da Grande Tribulação. É de Israel que descende o filho da mulher que há de reger as nações com cetro de ferro, o Senhor Jesus (Apo 12.5). Mas “a mulher, porém, fugiu para o deserto, onde lhe havia Deus preparado lugar para que nele a sustentem durante mil duzentos e sessenta dias.” (Apo 12.6).
Repare que estes mil duzentos e sessenta dias correspondem a três anos e meio. E é exatamente este o período da Grande Tribulação correspondente à perseguição do Anticristo. Muitos dos que forem poupados em Israel fugirão da cidade para o deserto e para os montes, e ali serão sustentados por Deus. E diz-se mais que quando Satanás foi atirado à terra por Miguel e seus anjos, de modo que não teria dali em diante mais acesso à presença de Deus, onde acusava os crentes de dia e de noite, isto fez com que ele ficasse muito encolerizado contra os habitantes da terra. Isto significa um aumento na fúria das perseguições contra os santos no tempo do fim e contra os judeus de um modo geral, dado ser a nação eleita através da qual Deus trouxe o Messias ao mundo. E assim lemos mais sobre a mulher que deu à luz o filho varão que regerá o mundo com cetro de ferro, em Apo 12.13-18:
“Quando, pois, o dragão se viu atirado para a terra, perseguiu a mulher que dera à luz o filho varão; e foram dadas à mulher as duas asas da grande águia, para que voasse até ao deserto, ao seu lugar, aí onde é sustentada durante um tempo, tempos, e metade de um tempo, fora da vista da serpente.
 Então a serpente arrojou da sua boca, atrás da mulher, água como um rio, a fim de fazer com que ela fosse arrebatada pelo rio.
 A terra, porém, socorreu a mulher; e a terra abriu a boca e engoliu o rio que o dragão tinha arrojado de sua boca.
“Irou-se o dragão contra a mulher e foi pelejar com os restantes da sua descendência, os que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus; e se pôs em pé sobre a areia do mar.”
Note mais uma vez o período de três anos e meio, designado agora na profecia como “um tempo, tempos, e metade de um tempo”.
O lançamento de Satanás sobre a terra, não significa que somente a partir de então passaria a perseguir os crentes, pois tem feito isto desde o princípio, mas sim o impedimento de ir à presença de Deus para acusá-los.
Assim, os eventos do capítulo 13, como já dissemos, correm em paralelo com o que foi dito anteriormente, pois são ocorrências da Grande Tribulação. Aqui se descreve o Anticristo como o agente destas perseguições de Satanás descritas no capítulo anterior (12). Nos versos 7 e 8 lemos:
“Foi-lhe dado também que pelejasse contra os santos e os vencesse. Deu-se-lhe ainda autoridade sobre cada tribo, povo, língua e nação; e adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra, aqueles cujos nomes não foram escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto, desde a fundação do mundo.”
E, vemos no capítulo 17 a descrição da grande meretriz, isto é, do falso sistema religioso da Grande Tribulação que está embriagado com o sangue dos santos, dos mártires de Jesus. E em 16:6 se diz que eles derramaram o sangue de santos e profetas.  
Em Lucas 21 temos o paralelo ao ensino de Mateus 24. No verso 20 de Lucas, temos o paralelo à abominação desoladora citada em Mateus 24.15. Lucas diz:
“Quando, porém, virdes Jerusalém sitiada de exércitos, sabei que está próxima a sua devastação.”
Então, complementa com as mesmas instruções que se seguem a Mateus 24.15: “Então os que estiverem na Judeia fujam para os montes...” e assim sucessivamente.  
O que significa isto?
Em Zacarias 14.1-3 lemos:
“Eis que vem o dia do Senhor, em que os teus despojos se repartirão no meio de ti.
Porque eu ajuntarei todas as nações para a peleja contra Jerusalém; e a cidade será tomada, e as casas serão saqueadas, e as mulheres forçadas; metade da cidade sairá para o cativeiro, mas o restante do povo não será expulso da cidade.
“Então sairá o Senhor e pelejará contra essas nações, como pelejou no dia da batalha.”
 E isto, não é uma referência ao cativeiro babilônico porque já havia acontecido, nem é uma referência à destruição pelos romanos, porque a profecia diz que as nações seriam juntadas contra Jerusalém.   
Isto se dará no tempo do fim como está registrado em Lucas: “quando virdes Jerusalém rodeada de exércitos”.

V - O Arrebatamento
Quando Deus destruiu as cidades de Sodoma e Gomorra com fogo e enxofre, do mesmo modo que ele trará juízos sobre o mundo quando da segunda vinda de Cristo, Ele livrou antes o justo Ló, fazendo com que ele fosse arrebatado pelas mãos de anjos do meio daqueles ímpios, mesmo diante de certa relutância de Ló, colocando-o fora da cidade ordenando-lhe que fugisse para o monte (Gên 19.15-17). Pedro, sobre tal livramento da parte de Deus assim se expressa em II Pe 2.9 quanto ao resgate de Ló:
“é porque o Senhor sabe livrar da provação os piedosos, e reservar, sob castigo, os injustos para o dia de juízo,”. 
A igreja será arrebatada, não pelas mãos de anjos, mas pela poderosa mão de Deus para o encontro com Jesus nos ares (I Tes 4.16,17). Paulo diz que isto se dará quando for dada a palavra de ordem do Senhor, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus. Em I Cor 15.52 Paulo diz que este arrebatamento ocorrerá ao ressoar a última trombeta. Se há uma última trombeta, é porque houve várias trombetas soadas antes do arrebatamento.
O toque de trombeta significa o alerta de Deus contra o pecado, e a chamada dos pecadores ao arrependimento, para que se convertam e vivam (Is 58.1; Jer 6.17; Ez 33.3-11).
A última trombeta está associada ao arrebatamento porque todos os crentes atenderão a esta convocação e se reunirão ao Senhor. Há uma chamada de Deus na dispensação da graça para que os homens creiam em Cristo e sejam livrados da ira vindoura.
Todo aquele que atender ao chamado será livrado da grande tribulação que virá sobre a terra, conforme promessa do Senhor em Apo 3.10:
“Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra.”
Observe que o Senhor está falando de uma hora de provação que virá sobre o mundo inteiro para experimentar os habitantes da terra. É provavelmente uma referência à Grande Tribulação da qual os verdadeiros crentes serão livrados segundo a sua promessa, por arrebatá-los antes que tais coisas sucedam. Mas como se diz em Apo 3.10, a provação referida terá o propósito de experimentar os que habitam sobre a terra, isto é, por ela, se conhecerá os que se voltarão para Deus, e os que permanecerão endurecidos pelo pecado, chegando mesmo a blasfemar o nome de Deus, conforme já vimos antes.
Muitos crerão pela dor, pela intensidade das perseguições e juízos do período da Grande Tribulação, mas aqueles que receberam a Cristo voluntariamente em seus corações, tendo crido nEle antes do período da tribulação, terão a distinção e honra de serem arrebatados, para serem livrados das coisas que sucederão ao mundo a partir do momento que a abominação desoladora for colocada no lugar santo.
A igreja estará com o seu Senhor nas Bodas do Cordeiro referida em Apo 19.7-9. E o anjo disse a João que escrevesse que; “Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro.”
Cremos que um dos motivos além do principal da comunhão plena e perfeita com Cristo, a citação à bem-aventurança diz respeito ao livramento dos juízos que serão despejados sobre a terra e das perseguições do Anticristo no período da Grande Tribulação.
I Tes 1.10 diz que Jesus nos livra da ira vindoura, e nesta mesma epístola, ele afirma que o dia do Senhor vem como ladrão de noite, mas os crentes não estão em trevas para que esse dia os apanhe de surpresa, porquanto são filhos do dia, e que Deus não destinou a igreja para a ira, mas para alcançar a salvação mediante Jesus Cristo (I Tes 5.1-11).
Somos livrados não somente da condenação futura do grande juízo de Deus, como também dos juízos que serão manifestados em razão da ira de Deus contra o pecado por ocasião da segunda vinda de Cristo. Estes juízos são destinados aos incrédulos, ao mundo de pecado, e não faria sentido, que Deus submetesse a igreja à mesma condenação juntamente com o mundo. Isto contrariaria frontalmente todas as promessas bíblicas de livramento dos que têm a Cristo, dos juízos vindouros. Pedro é bastante explícito ao afirmar que “o Senhor sabe livrar da provação os piedosos, e reservar, sob castigo, os injustos para o dia de juízo,” 
Ele não destruirá o justo juntamente com o ímpio quando trouxer Seu juízo sobre o mundo, assim como manifestou este caráter da Sua justiça a Abraão, quando este intercedeu em favor de Ló, e efetivamente livrou Ló da destruição que era destinada aos ímpios, assim, como também livrou Noé e sua família, nos dias do dilúvio que trouxe ao mundo para julgar o pecado que havia sobre a terra.
O Senhor disse a Abraão que, se houvesse dez justos em Sodoma e Gomorra, Ele pouparia a cidade da destruição. Entendemos então, que caso os crentes ainda estivessem no mundo durante a Grande Triobulação, Deus não despejaria os Seus juízos sobre o mundo por amor deles. É exatamente por terem sido retirados do mundo no arrebatamento, e por não ter ficado assim nenhum justo na terra a partir deste momento, que foi o fator que propiciou que Deus despejasse seus juízos descritos em Apocalipse sobre o mundo.
Além destas, há muitas outras razões para crermos que a igreja não passará pela Grande Tribulação.
Ninguém pode duvidar do arrebatamento, porque ele é ensinado clara e positivamente pela Bíblia. E podemos supor quanto ao tempo do evento que ele será antes da Grande Tribulação porque é dito na Palavra que quando Cristo se manifestar nós também seremos manifestados com ele, em glória (Col 3.4).
Ora, nós sabemos que o dia da segunda vinda, conhecido como o dia do Senhor, será um dia terrível, de juízos terríveis, porque o Senhor virá para entrar em juízo com o mundo de pecado.
E como poderemos nos manifestar com Ele em glória em tal ocasião se ainda estivéssemos na terra?
Como poderia ter lugar a ressurreição dos crentes que haviam morrido antes dos que estiverem vivendo, e a transformação dos corpos deles e dos que estiverem vivendo na terra na ocasião, para o encontro com Jesus nas nuvens, exatamente no momento em que Ele se manifestar como o juiz de toda a terra, matando pela sua palavra o mundo de ímpios?
Como viríamos com Ele e com os anjos na segunda vinda, se tivéssemos que nos encontrar com Ele nas nuvens, exatamente na ocasião da sua segunda vinda para julgar o mundo?
Agora, tudo se encaixa e se harmoniza com a Palavra revelada, se colocamos o momento do arrebatamento antes do período da Grande Tribulação, e a segunda vinda de Jesus no final do referido período.     
Outra razão para crermos que o arrebatamento ocorrerá antes da Grande Tribulação está na própria estrutura do livro de Apocalipse. Nos capítulos 2 e 3, o Senhor se dirige à igreja. Mas nos capítulos 4 e 5 não se fala mais da igreja. Por que isto?
A igreja não está na terra. Ela está no céu. O capítulo 4 é introduzido com a expressão:
“Depois destas cousas olhei, e eis não somente uma porta aberta no céu.”
Observe que a cena se desloca da terra para o céu. As atenções estão voltadas no capítulo 5, para um livro escrito por dentro e por fora de todo selado com sete selos. É o livro referente à herança do Cordeiro, à tomada de posse definitiva da Sua propriedade. Da conquista final da terra e de tudo o que nela existe. A abertura dos seus selos precipitará todas as ações necessárias para a segunda vinda de Cristo e o estabelecimento do seu reino na terra. Ele é rei.
Ele disse a Pilatos que para isto havia nascido e para isto havia vindo ao mundo (Jo 18.37). Tudo foi criado por Ele e para Ele. Mas santo que é, importa que a sua propriedade seja tomada também em pureza e santidade. Ele não é o rei de um mundo pecaminoso, com co-herdeiros ainda sujeitos ao pecado. Por isso purificará a terra de suas más obras, e assumirá o reino com aqueles que tiver purificado pelo Seu sangue.   
A abertura dos selos corresponde, portanto às ações de juízo sobre a terra para que esta seja reconquistada. E tudo isto se dará no período de governo do Anticristo. Assim, nos capítulos 4 e 5 de Apocalipse a igreja está no céu, e começarão a se desenrolar do capítulo 6 em diante, as ações sobre a terra no período de governo da besta. Do capítulo 6 a 18, não se menciona a igreja... Nunca se menciona como a igreja deveria agir durante a tribulação. Nenhuma outra palavra de advertência, de admoestação, de convocação ao arrependimento, como encontramos nos capítulos 2 e 3.
E qual é a razão disto?
A igreja está aperfeiçoada no céu, sem ruga nem mácula, porque já foi arrebatada.  O foco da atenção na terra já não é, portanto a partir de agora a igreja, mas a segunda vinda do Senhor para estabelecer o seu reino, os que estão sendo perseguidos e massacrados pelo Anticristo, os juízos que terão que ser despejados sobre a terra para produzir a conversão de muitos dos que se arrependeriam em face das perseguições e das manifestações da ira de Deus.
A literatura apocalíptica, mesmo a dos dias do Velho Testamento, tinha por propósito consolar e conduzir à fé aqueles que estariam debaixo da aflição e juízos futuros. Eles poderiam reconhecer a sua experiência nos escritos proféticos que apontavam para as ocorrências do futuro. A maior parte do Apocalipse não se refere à igreja, porque durante as ocorrências ali narradas a igreja já está consolada no céu, não tendo do que ser consolada. Esta consolação será necessária para os que estiverem vivendo na terra  no período da Grande Tribulação.
Um preço terrível terá que ser pago pela maioria dos que se converterem nos dias do Anticristo, para não negarem a fé, mas o livro de Apocalipse revela que valerá a pena pagar qualquer preço em face do gozo eterno que está prometido ao que vencer e perseverar até o fim, e do livramento dos horrores eternos no lago de fogo e enxofre para aqueles que negarem o nome de Cristo.

VI - A Segunda Vinda de Cristo
Um das verdades mais amedrontadoras de todas da Bíblia se refere ao evento que é identificado em I Tes 5.2 como o dia do Senhor. Aquele termo é um termo técnico da Bíblia para descrever o dia quando Jesus voltará trazendo a cólera flamejante e a ira de Deus sobre todos os pecadores do mundo. É um dia de devastação. É um dia de destruição.
Em várias outras passagens da Bíblia é usada a expressão o "dia do Senhor" para revelar que é um dia de angústia, de sofirmento, de juízo: Atos 2:20, 2 Tes 2:2;  2 Pe 3:10; Is 2:12, 13:6, 9; Jer 46:10;  Joel 1:15; 2:11, 31; Amós 5:18,:20; Mal 4:5; Sof 1:14, 15.
Toda palavra profética relativa ao dia do Senhor é sobre julgamento, é sobre ira, desolação, vingança e destruição terríveis. É dito que é um tempo de melancolia e escuridão e angústia. Seis vezes é chamado de um dia de destruição. Quatro vezes é chamado de um dia de vingança.  
Agora sempre o dia do Senhor se refere ao julgamento final mais cataclísmico de Deus sobre a terra, para visitar o pecado dos homens ímpios. É a culminação da cólera de Deus numa explosão final que consome o ímpio. Agora é verdade, que especialmente no Velho Testamento houve épocas em que Deus manifestou a sua ira sobre os homens, e usou meios providenciais humanos, como uma nação  destruindo outra nação, ou usando fomes, terremotos ou pestes e doenças, como forma de juízo, mas nada disso se compara ao grande e final julgamento que ele despejará sobre a terra sob a forma de situações angustiantes. Assim todos os terremotos, fomes, desastres, doenças, tempestades, inundações, operações demoníacas, guerras, violências e todas as formas de tribulações que afligem os homens são apenas prelúdios da manifestação da explosão final da ira do Filho de Deus quando ele se manifestar para desarraigar o ímpio da terra, na sua segunda vinda.
O dia do Senhor deve ser visto então exclusivamente como um período de julgamento, julgamento dos ímpios. E assim, todas as manifestações de juízos que encontramos desde Apo 6 até 19 estão associadas ao dia do Senhor, isto é, à segunda vinda de Cristo, que como já vimos, ocorrerá no final do período de três anos e meio da Grande Tribulação. 
São várias as passagens das Escrituras que afirmam que o dia do Senhor está próximo: Ez 30.3; Joel 2.1; 3.14; Ob 15; Sof 1.7; Zac 14.1. Sempre houve assim, a ideia de que Ele pudesse vir a qualquer momento.  
O Novo Testamento diz que neste dia o Senhor virá como um ladrão. Não que o Senhor seja um ladrão, mas ele virá inesperadamente e não para dar boas vindas, mas para produzir destruição. Aqueles que não se aprontarem para serem livrados da surpresa deste dia terão que enfrentar as terríveis consequências da sua negligência.
Joel 2.30,31 nos dá o caráter deste dia: 
“Mostrarei prodígios no céu e na terra; sangue, fogo, e colunas de fumo. O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor.”   
Então, o Senhor virá com poder e muita glória. Uma glória tal que escurecerá a própria luz do sol, da lua e das estrelas. Este será o chamado dia do Senhor. Um dia singular. Um dia totalmente diferente. Um dia profético, não necessariamente um dia de 24 horas. Como diz a palavra, porque "será um dia que será conhecido a Jeová." (Zac 14.7)
O que ele está dizendo é que não há ninguém que possa descrever este dia. Ninguém poderia entender este dia. Não há nenhuma explicação científica para este dia. Nenhum ser humano poderia ter a compreensão completa deste dia. É um dia que somente o Senhor pode explicar. É um dia somente conhecido a Ele. Não haverá nenhum modo de entendê-lo. Porque poderes miraculosos procederão do Senhor nos céus e na terra e os fundamentos do mundo serão abalados.  
Então, o profeta Zacarias diz mais adiante (14.7):
"Não será nem dia nem noite, mas haverá luz à tarde.”.
Não é dia claro, nem noite. Assim, não é nem dia e nem noite. Mas, o verso 7 diz:
 "mas haverá luz à tarde".
No término daquele dia, no fim daquele período profético, a luz virá. Assim Zacarias vê a mesma coisa. Tudo fica escuro. Ninguém pode entender o que aconteceu. Não há nenhuma explicação humana. Somente Deus sabe. Não é nem um dia claro, nem uma noite escura. É um dia singular.  
Então no fim daquele período de trevas, a luz voltará. E o que é aquela luz?
É o sinal do Filho do Homem no céu que vem nas nuvens do céu com poder e grande glória.
Qual será a intensidade e a majestade desta luz divina?
Apocalipse 21.23 nos dá uma ideia sobre isto, porque na Jerusalém celestial, o Cordeiro é a Sua lâmpada, e não necessita de nenhuma luz natural, nem do sol, nem da lua, nem das estrelas. Jesus encherá os céus com a glória da Sua luz.
Mas esta luz que brilhará na escuridão, será para os ímpios não um motivo de alegria, mas de puro terror. Por amarem as trevas os pecadores fogem da luz. Esta luz é para eles uma luz de julgamento vingador. Daí se dizer em Lucas 21.26 quanto a este dia:
“haverá homens que desmaiarão de terror e pela expectativa das cousas que sobrevirão ao mundo; pois os poderes dos céus serão abalados.”
Hebreus 1.2,3 diz, que “Jesus foi constituído por Deus herdeiro de todas as cousas, e pelo qual também fez o universo, e que Ele é o resplendor da glória e a expressão exata do Seu ser, sustentando todas as cousas pela palavra do seu poder.”
Observe que Jesus não é somente criador do universo, mas também sustentador do equilíbrio de tudo o que há no universo. E como Ele fez e faz isto ?
Simplesmente pela palavra do Seu poder. É nEle que tudo é sustentado mediante a Sua palavra de ordem. Ele disse no princípio: “Haja luz”, e houve luz, e assim se fez com todas as coisas criadas, visíveis e invisíveis. Da mesma forma que Ele criou e sustenta pela sua palavra, Ele também destruirá pela mesma palavra poderosa que procede de Sua boca.
Ele mostrou este Seu poder abundantemente em Seu ministério terreno, expelindo demônios, curando enfermidades, operando maravilhas meramente com a palavra proferida pelos seus lábios. Este mesmo poder ainda opera na igreja dentro dos limites estabelecidos e controlados por Ele, fazendo com que a palavra poderosa inspirada pelo Espírito que procede da boca dos seus servos, faça tudo quanto Lhe apraz.
O homem pode contar com a regularidade com que o Senhor sustenta todas as coisas, para enviar satélites ao espaço sideral, sabendo que eles não se desviarão de suas órbitas, porque há um poder que mantém o universo em equilíbrio.
Os corpos celestes são controlados pelo poder sustentador da palavra de Deus. Mas de repente, se o Senhor deixa de exercer este poder sustentador, o que nós temos?
O caos, e tudo o que está unido no universo passa a se descontrolar e desintegrar. E a terra se torna uma vítima deste desarranjo incrível de todo o universo. Os poderes dos céus serão abalados e nós já sabemos por que isto ocorrerá.
Deus manifestará o seu desagrado relativamente à impiedade dos homens que chegará a níveis insuportáveis nos últimos dias conforme descrito na Bíblia, através da remoção das condições de sustentação regular da vida do mundo físico que os homens tanto apreciam. Tal como um pai que priva o filho de um brinquedo muito querido, quando o castiga. Deus quebrará os pontos de apoio em que os homens costumam colocar a sua confiança e segurança.
Haverá escassez de alimento e de água, de condições climáticas favoráveis à saúde, haverá pragas e pestilências sem medida, acidentes provocados por terremotos, e outros eventos cataclísmicos, destruições e aflições decorrentes de guerras, operações de demônios, e tantas outras condições desfavoráveis para a vida do homem na terra, em decorrência dos juízos de Deus. A alteração no poder que sustenta o equilíbrio do universo terá em vista principalmente produzir tais condições desfavoráveis na terra. 
É inconcebível como a terra não será totalmente destruída com isto, mas poderoso é o Senhor para mantê-la em plena ordem, se assim o desejasse, mesmo retirando tudo o mais do universo que a rodeia. Deus produzirá caos na terra, mas Ele controlará o caos pelo Seu poder, porque Ele restaurará  a terra para o reino milenal paradisíaco de Cristo na terra.
Em Isaías 34.6 lemos:
“A espada do Senhor está cheia de sangue, engrossada da gordura e do sangue de cordeiros e de bodes, da gordura dos rins de carneiros; porque o Senhor tem sacrifício em Bozra, e grande matança na terra de Edom.”
Em outras palavras, haverá uma matança mundial da parte do Senhor, quando Ele vier com os Seus santos e os anjos para julgar o reino do Anticristo e a coligação de nações que se ajuntarão no lugar chamado de Armagedom para destruir Israel. O Senhor virá e destruirá os ímpios não somente que estiverem marchando contra Israel com o Anticristo, mas os de todas as nações.
O descrente será morto, mas o justo viverá. Os homens serão mais raros que o ouro de Ofir. E com estes crentes que estiverem vivendo sobre a terra e que sobreviverão à volta do Senhor, o mundo será repovoado para no período do milênio. 
A espada referida em Is 34.6 que está cheia de sangue, não é uma espada física, e nem mesmo a ação de uma guerra conforme a ideia que nós temos de uma guerra, porque esta espada é a espada afiada de dois gumes. A espada que procede da boca do Senhor, que é a Sua palavra. Será meramente por meio da palavra de ordem que Ele proferir que os ímpios serão mortos em todas as nações do mundo, por ocasião da sua segunda vinda. É aqui que se cumpre em plenitude a palavra que Ele proferiu enquanto neste mundo; que deveríamos temer Aquele que tem poder para matar o corpo e lançar a alma no inferno.
Esta é uma referência a si mesmo, como Deus que é. É Ele quem tem as chaves da morte e do inferno. Isto é, é Ele quem tem o domínio sobre ambos. Ele revelará isto claramente na Sua segunda vinda.
Esta destruição dos ímpios não significa aniquilação, mas morte física, porque continuarão existindo em espírito, mas sendo lançados no inferno para aguardarem a condenação final ao lago de fogo e enxofre depois de serem ressuscitados depois do milênio e serem julgados diante do grande trono branco (Apo 20.11).
Apo 19.11-21, e 20.1-3a descrevem parte dos eventos relativos à segunda vinda de Jesus, e ali se diz que “sai da sua boa uma espada afiada, para com ela ferir as nações,” (verso 15), e que a besta e o falso profeta foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre (verso 20), e que; “os restantes foram mortos com a espada que saía da boca daquele que estava montado no cavalo. E todas as aves se fartaram das suas carnes.” (verso 21).
Veja então, que pela Sua palavra o Senhor destruirá os ímpios de todas as nações por ocasião da sua segunda vinda.
Lembramos mais uma vez, que os santos estarão com o Senhor na Sua vinda (Zac 14.5), e também os anjos (I Tes 1.7). E vale lembrar as poderosas destruições de milhares de ímpios que o Senhor efetuou na terra nos dias do Velho Testamento, através do poder dos anjos. Haverá, portanto uma mortandade real de ímpios na segunda vinda de Jesus.
O centro do governo de Jesus durante o milênio será em Jerusalém. Daí que, quando ele voltar, o teatro de operações da guerra de coligação de nações com o Anticristo estará se dirigindo para a referida cidade.
Em Zac 12.3 lemos: “Naquele dia farei de Jerusalém uma pedra pesada para todos os povos; todos os que a erguerem se ferirão gravemente; e, contra ela, se ajuntarão todas as nações da terra.”   
Na batalha de Armagedon há um foco sobre Jerusalém, e Jerusalém vai ser um lugar onde o Anticristo tentará estabelecer o seu governo. Até nisto ele tentará ocupar o lugar de Cristo. 
Is 63.1-6 descreve vivamente as condições de mortandade geral em todo o mundo por ocasião da segunda vinda do Senhor. Apocalipse 19.13 apresenta as vestes do Senhor salpicadas de sangue, tanto quanto em Is 63, como resultado da matança dos seus inimigos, no trabalho de desarraigar o ímpio da terra. Pela sua própria impiedade é que eles serão desarraigados, tendo recusado voluntariamente a chamada de Deus para o arrependimento e salvação.

VII - O Milênio e a Prisão de Satanás
Jesus disse que os mansos são bem-aventurados porque eles herdarão a terra. Isto é uma referência clara ao retorno dos crentes à terra, para reinarem juntamente com Cristo durante os mil anos citados em Apocalipse,  e da permanência na terra daqueles que se converterem no período da Grande Tribulação, no que podemos chamar de reino milenal. Este reino de mil anos será o cumprimento de várias profecias bíblicas, e especialmente da promessa feita a Davi de que da sua descendência sairia um rei que governaria Israel com justiça.
Este reino de mil anos é citado em várias porções das Escrituras, especialmente no Velho Testamento, conforme estaremos comentando adiante. No Novo Testamento há versículos que chamam este período de Regeneração, como em Mt 19.28: “Jesus lhes respondeu: Em verdade vos digo que vós os que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel.”.
Em Atos 3.21 é chamado de Tempos da Restauração: “ao qual é necessário que o céu receba até aos tempos da restauração de todas as cousas, de que Deus falou por boca dos seus santos profetas desde a antiguidade.”
Em Ef 1.10 é chamado de Dispensação da Plenitude dos Tempos: “de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as cousas, tanto as do céu como as da terra;”. 
Na realidade, podemos afirmar que  o Reino é o tema fundamental de toda a Bíblia. Que tudo da Bíblia realmente se orienta ao fato de que Deus governa, que Deus é soberano, e que a meta da história redentora é um Reino eterno no qual Deus governa. Tudo aponta para o reino. Jesus mesmo, logo que começou o Seu ministério pregava e continuou pregando a necessidade de fé e arrependimento porque o Reino de Deus estava próximo.
Deus sempre prometeu um reino que seria eterno, mas Ele prometeu que seria também um reino terrestre, tanto quanto Ele prometeu a esperança do céu eterno. Agora como Deus pode cumprir tudo isso?
Um reino eterno que é um reino terrestre e é também um reino divino?
Bem, a resposta é que o reino milenal é parte terrestre daquele reino eterno. No Velho Testamento, como estaremos vendo, as promessas dos profetas para Israel falam de um reino que é terrestre... Mas eles também falam de um reino que é divino, um reino que está aqui neste planeta e que é um reino que tem uma dimensão completamente diferente, um reino que é medido pelo tempo e um reino que está além do tempo.  
E é necessário que Deus faça isto deste modo. Ele prometeu um reino terrestre. Naquele reino terrestre haverá pessoas com um corpo terreno, tal como o nosso, que não morreram na segunda vinda de Cristo. Eles sobreviverão ao tempo da Tribulação e eles serão os resgatados. Eles virão da nação de Israel e de outras nações do mundo.
Eles entrarão no reino terrestre glorioso renovado e reavivado na terra. Por isso o anjo disse a  Daniel que são bem-aventurados os que esperam e chegam até mil trezentos e trinta e cinco dias, isto é, setenta e cinco dias após o término da Grande Tribulação, que como já vimos, é o provável prazo para o preparo e admissão final no Reino daqueles que sobreviveram à Grande Tribulação. Eles terão filhos, como veremos no estudo das profecias, especialmente no livro do profeta Isaías. A reprodução natural prosseguirá, e os processos naturais da  vida seguirão o seu curso, só que Deus operará de tal forma que a longevidade dos primeiros dias conforme relatado no Gênesis será restaurada.
E assim, ainda haverá um grupo de pessoas na terra, descendentes destes crentes do Reino, tal qual no princípio, quando o mundo de hoje foi formado a partir da família de Noé, e dentre estes que tiverem descendido deles, haverá também não eleitos, pessoas que não se converterão, e que serão no fim dos mil anos seduzidas por Satanás quando ele for solto de sua prisão no abismo, por um breve tempo, para a sua condenação final no lago de fogo e enxofre. Assim, o reino enquanto é na realidade um reino que é dado às pessoas de Deus por via de cumprimento da Sua promessa, é também o tempo final no qual a redenção poderá acontecer nas vidas de seres humanos. E cumpre dizer, que haverá, portanto dois tipos de seres humanos vivendo na terra, os crentes que receberão corpos glorificados na primeira ressurreição e no arrebatamento e que retornaram à terra com Cristo na sua segunda vinda, e estes que citamos, ainda em corpos naturais, que sobreviveram à Grande Tribulação, cujo término coincidiu com a segunda vinda de Jesus.
A prisão de Satanás durante os mil anos não será no lago de fogo, mas num lugar chamado de abismo que é muito mencionado na Palavra (Apo 20.1, 3; II Pe 2.4; Lc 8.31).
Todas as sete vezes que este abismo ou cova sem fundo é citado em Apocalipse isto se refere ao lugar onde os anjos caídos são mantidos aprisionados. O lugar onde eles esperam o encarceramento final deles no lago de fogo. Diz-se de forma muito interessante em Is 24:21-23: " Naquele dia o Senhor castigará os exércitos do alto nas alturas, e os reis da terra sobre a terra. E serão ajuntados como presos numa cova, e serão encerrados num cárcere; e serão punidos depois de muitos dias. Então a lua se confundirá, e o sol se envergonhará, pois o Senhor dos exércitos reinará no monte Sião e em Jerusalém; e perante os seus anciãos manifestará a sua glória."
Quais são os exércitos do céu?
Anjos. Estes são anjos maus. O Senhor castigará naquele dia os anjos maus. Eles serão reunidos como prisioneiros no calabouço e serão limitados em prisão e então depois de muitos dias serão castigados. Primeiro eles são limitados e Isaías está vendo isto. Eles são limitados por um período para depois então serem sujeitados ao castigo eterno. Assim então, o primeiro elemento do Reino é a remoção de Satanás e seus demônios.
Olhemos para o segundo elemento, o reinado dos santos. Da remoção de Satanás para o reinado dos santos:
“E vi descer do céu um anjo, que tinha a chave do abismo e uma grande cadeia na sua mão.
Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo e Satanás, e o amarrou por mil anos.
Lançou-o no abismo, o qual fechou e selou sobre ele, para que não enganasse mais as nações até que os mil anos se completassem.
“Depois disto é necessário que ele seja solto por um pouco de tempo.” (Apo 20.1-3).

Tendo sido removido Satanás, lemos nos versos 4 a  6:
“Então vi uns tronos; e aos que se assentaram sobre eles foi dado o poder de julgar; e vi as almas daqueles que foram degolados por causa do testemunho de Jesus e da palavra de Deus, e que não adoraram a besta nem a sua imagem, e não receberam o sinal na fronte nem nas mãos; e reviveram, e reinaram com Cristo durante mil anos. Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se completassem.
Esta é a primeira ressurreição. Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte; mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele durante os mil anos.”
Aqueles que morreram durante a Grande Tribulação não estarão, portanto em desvantagem diante daqueles que estiverem vivendo na terra depois da segunda vinda de Jesus, porque eles serão ressuscitados em corpos glorificados, para voltarem à terra com Cristo na segunda vinda, e para reinarem com Ele no milênio. Apo 20.5,6 chama de primeira ressurreição a todos quantos foram ressuscitados antes da segunda vinda de Jesus e inauguração do milênio.
Os crentes que haviam morrido antes do arrebatamento foram ressuscitados na ocasião do próprio arrebatamento, antes da Grande Tribulação, e estes que se converteram durante o governo do Anticristo e que morreram antes da segunda vinda de Jesus foram também ressuscitados, conforme se depreende de Apo 20.4, antes de terem retornado à terra com o Senhor, na sua segunda vinda.
Todos os líderes mundiais, simplesmente todos os governadores, todos os primeiros-ministros, todos os magistrados, todos aqueles que são responsáveis por educação, todos os legisladores, todos aqueles que são responsáveis pelo governo da sociedade na face de toda a terra serão os santos glorificados, e que já não se casam e não se dão em casamento, que terão autoridade delegada do próprio Senhor Jesus Cristo para levar a cabo a vontade dele em todos os lugares. Então haverá verdade na educação, então haverá justiça nas salas de tribunais. Então haverá padrões morais reais em todas as áreas da vida humana. E se cumprirá plenamente a palavra de que bem-aventurados são os que têm fome e sede de justiça porque serão fartos (Mt 5.6). Então haverá honestidade nos noticiários. Não haverá poluição na terra, seja ela do tipo que for. Os livros estarão cheios de verdade, e a televisão somente transmitirá a verdade. 
Apocalipse 20 faz referência ao início e ao fim do período do milênio, quando ocorrerá a batalha final chamada  de Gogue e Magogue (20.8), com a destruição pelo fogo de todos os que marcharem contra a cidade central do governo de Cristo com os santos, em Jerusalém, o lançamento de Satanás no lago de fogo, e, então todos os descrentes terão sido mortos, e tanto os do período do milênio quanto os do passado, desde Adão, terão os seus corpos ressuscitados para que sejam julgados e condenados à segunda morte, que é o lago do fogo. E daí por diante a morte será finalmente vencida, porque já não haverá mais reprodução, e assim a possibilidade de nascerem pessoas descrentes. Por isso se diz também em Apo 20.14, que tanto a morte quanto o inferno foram também lançados no lago do fogo, indicando que já não haverá mais julgamento, nem condenação, daí por diante, motivo por que serão criados novo céu e nova terra, conforme relatado em Apo 21, onde estará a Nova Jerusalém como a morada eterna dos santos com o Cordeiro.
Mas, até que Satanás seja solto da prisão com seus demônios, o milênio será um período de justiça e de paz na terra, porque terá tal governo sobre a terra. Com a ausência de Satanás e dos demônios não haverá qualquer obstrução, qualquer obstáculo, para a manutenção da justiça e da paz. Por isso se diz em Is 65.20:
“Não haverá mais nela criança para viver poucos dias, nem velho que não cumpra os seus; porque morrer aos cem anos é morrer ainda jovem, e quem pecar só aos cem anos será amaldiçoado.”
Observe que quem pecar somente aos cem anos será amaldiçoado. A maldição não se apressará em vir sobre aquele que pecar porque não haverá condições favoráveis para viver pecando deliberadamente. Tudo chamará à paz, à justiça, à pureza. Não haverá um só governante injusto, porque o governo será dado aos santos, conforme o afirmam tantas passagens das Escrituras, dentre as quais gostaríamos de destacar Dn 7.18:
“Mas os santos do Altíssimo receberão o reino, e o possuirão para todo o sempre, de eternidade em eternidade.”
E Dn 7.22: “até que veio o Ancião de dias, e fez justiça aos santos do Altíssimo; e veio o tempo em que os santos possuíram o reino.”
As palavras de Jesus ganham um gosto especial, quando contemplamos estas coisas relativas ao seu governo futuro com os santos na terra:
“Bem aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.” (Mt 5.2).
“Bem aventurados os mansos, porque herdarão a terra.” (Mt 5.4).
 “Bem aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.” (Mt 5.10).
Deles é o reino...”, é a nota que se repete. Aprouve ao Pai dar aos crentes o reino. O governo lhes pertence, juntamente com Cristo, e daí se dizer em Apo 20.6:
“Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade; pelo contrário, serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele os mil anos.”
Não se trata mais de ser bem aventurado simplesmente por ter escapado da condenação futura, mas por ser reino sacerdotal de Cristo na terra e pela eternidade afora.
A palavra de II Pe 2.9 terá cabal cumprimento, quanto ao exercício da função daqueles que estiverem em corpos glorificados na terra governando juntamente com Cristo: “sois raça eleita”, isto é, escolhidos para este propósito;  “sacerdócio real”, isto é governantes justos que intercedem em favor dos homens junto ao Rei dos reis; “nação santa”, um povo eleito de sacerdotes reais porque é santo, porque tem o caráter santo do próprio Cristo.
Nós seremos sacerdotes de Deus e de Cristo e reinaremos com Ele durante os mil anos.
O que faz um sacerdote? Um sacerdote traz as pessoas a quem?
Para Deus. Essa será nossa função mundial. Nós estaremos trazendo as pessoas a Deus, trazendo as pessoas ao Senhor, trazendo as pessoas ao conhecimento de Cristo, conduzindo-os à Sua presença gloriosa, trazendo-os à verdade. Essa será nossa função. Nós estaremos trazendo as pessoas à salvação, ao mesmo tempo nós estaremos regendo e reinando e executando os desejos do Rei.
 Este mundo será maravilhoso. Satanás não será mais o seu príncipe, porque Jesus será eternamente o seu Rei, com domínio pleno sobre todos os seus habitantes. E os santos não terão que tentar entender o que devem fazer porque eles estarão glorificados e aperfeiçoados em santidade, justiça e amor e levarão a cabo a vontade de Cristo perfeitamente.
Isaías 60 retrata a glória da cidade de Jerusalém tanto durante o governo milenal de Cristo, quanto da sua glória final, quando for estabelecida a Nova Jerusalém depois do milênio, quando forem criados novo céu e nova terra. Certamente até o verso 17, a referência é à glória da Jerusalém do milênio, porque se fala ainda de destruição de nações (verso 12; esta condição não existirá depois do milênio).
A partir do verso 18 a profecia se desloca para a Nova Jerusalém, porque se diz que nunca mais se ouvirá de violência na tua terra, de desolação ou ruínas nos teus termos, pois sabemos que haverá ainda uma conflagração final no levante que for efetuado por Satanás, quando for solto no final do milênio. E também, porque se diz que nunca mais te servirá o sol para luz do dia, nem com o seu resplendor a lua te alumiará, mas o Senhor será a tua luz perpétua (verso 20), e que todos o do teu povo serão justos e para sempre herdarão a terra (verso 21) e sabemos que nem todos durante o milênio que estiverem vivendo na terra, e mesmo na cidade de Jerusalém serão justos durante o milênio.
As portas da cidade de Jerusalém estarão continuamente abertas, porque não haverá ameaça de invasão e violência contra a cidade até que Satanás seja solto no final dos mil anos. Nos versos 11 a 14 de Is 60 lemos:
“As tuas portas estarão abertas de contínuo; nem de dia nem de noite se fecharão, para que te sejam trazidas riquezas das nações, e, conduzidos com elas, os seus reis.
Porque a nação e o reino que não te servirem perecerão: sim, essas nações serão de todo assoladas.
A glória do Líbano virá a ti;  o cipreste, o olmeiro e o buxo conjuntamente, para adornarem o lugar do meu santuário, e farei glorioso o lugar dos meus pés.
Também virão a ti, inclinando-se, os filhos dos que te oprimiram, prostrar-se-ão até às plantas dos teus pés todos os que te desdenharam, e chamar-te-ão a cidade do Senhor, a Sião do Santo de Israel.”
O profeta Miquéias diz isto:
“Mas nos últimos dias acontecerá que o monte da casa do Senhor será estabelecido no cume dos montes, e se elevará sobre os outeiros, e para ele afluirão os povos.
Irão muitas nações, e dirão: Vinde, e subamos ao monte do Senhor, e à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos pelas suas veredas; porque de Sião procederá a lei, e a palavra do Senhor de Jerusalém.
Ele julgará entre muitos povos, e corrigirá nações poderosas e longínquas.
“Estes converterão as suas espadas em relhas de arados, e suas lanças em podadeiras: uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra.” (Mq 4.1-3).
A razão disto é apresentada pelo profeta no verso 7:
“o Senhor reinará sobre eles no monte Sião, desde agora e para sempre.”
Muitos dos que nascerem durante o milênio serão conduzidos à fé e ao conhecimento de Cristo, e tal como nós estarão unidos a Ele espiritualmente para sempre.
Israel será abençoado. A terra de Israel, a cidade de Jerusalém voltará a ser gloriosa, e se cumprirá o que foi dito pelo profeta Zacarias:
“Todos os que restarem de todas as nações que vieram contra Jerusalém, subirão de ano em ano para adorar o Rei, o Senhor dos Exércitos, e para celebrar a festa dos tabernáculos. Se alguma das famílias da terra não subir a Jerusalém para adorar o Rei, o Senhor dos Exércitos não fará vir sobre ele a chuva.” (Zac 14.16,17). 
 Haverá um julgamento imediato sobre as pessoas que não adorarem o Senhor Jesus em Jerusalém.  
Olhando então agora politicamente e espiritualmente para o Reino, nós podemos ver como o Senhor Jesus domina tudo.
O texto de Is 11.4-10 é uma descrição vívida da forma como será o milênio:
“mas julgará com justiça os pobres, e decidirá com equidade a favor dos mansos da terra; ferirá a terra com a vara de sua boca, e com o sopro dos seus lábios matará o perverso.
A justiça será o cinto dos seus lombos, e a fidelidade o cinto dos seus rins.
O lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito; o bezerro, o leão novo e o animal cevado andarão juntos, e um pequenino os guiará.
A vaca e a ursa pastarão juntas, e as suas crias juntas se deitarão; o leão comerá palha como o boi.
A criança de peito brincará sobre a toca da áspide, e o já desmamado meterá a mão na cova do basilisco.
Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar.
 Naquele dia recorrerão as nações à raiz de Jessé que está posta por estandarte dos povos; a glória lhe será a morada.” 
É interessante notar a citação da presença pacífica de animais dito selvagens no período do milênio. Assim como o Senhor reuniu os animais na arca de Noé preservando-os da extinção, Ele também os preservará na segunda vinda de Cristo para que continuem se multiplicando sobre a terra.
O capítulo 34 de Isaías depois de citar na primeira parte do capítulo, a destruição dos ímpios das nações na volta de Jesus, e da derrubada dos reinos deste mundo (versos 12 e 13), cita na parte final animais como o pelicano, ouriço, bufo, corvo, chacais, avestruzes, corujas e abutres, que não são animais nobres, que se fartarão das carnes dos que forem mortos na volta de Jesus, e a estes assim se refere nos versos 16 e 17:
“Buscai no livro do Senhor, e lede; nenhuma destas criaturas falhará, nem uma nem outra faltará; porque a boca do Senhor o ordenou, e o seu Espírito mesmo as ajuntará. Porque ele lançou as sortes a favor delas, e a sua mão lhes repartiu a terra com o cordel; para sempre a possuirão, através de gerações habitarão nela.”
O ímpio não herdará a terra, porque será desarraigado dela, mas Deus preservará os animais na terra.
E na sequência, o capítulo 35 de Isaías descreve a restauração da terra e alegria dos justos que habitarão nela.
Em Is 65.19-25 lemos:
“E exultarei por causa de Jerusalém, e folgarei do meu povo, e nunca mais se ouvirá nela nem voz de choro nem de clamor.
Não haverá mais nela criança para viver poucos dias, nem velho que não cumpra os seus; porque morrer aos cem anos é morrer ainda jovem, e quem pecar só aos cem anos será amaldiçoado.
Eles edificarão casas, e nelas habitarão, plantarão vinhas, e comerão o seu fruto.
Não edificarão para que outros habitem; não plantarão para que outros comam; porque a longevidade do meu povo será como a da árvore, e os meus eleitos desfrutarão de todo as obras das suas próprias mãos.
Não trabalharão debalde, nem terão filhos para a calamidade, porque são a posteridade bendita do Senhor, e os seus filhos estarão com eles.
E será que antes que clamem, eu responderei; estando eles ainda falando, eu os ouvirei.
O lobo e o cordeiro pastarão juntos, e o leão comerá palha como o boi; pó será a comida da serpente.
“Não farão mal nem dano algum em todo o meu santo monte, diz o Senhor.”
Veja que o texto se refere a uma taxa de natalidade alta que contribuirá para o rápido repovoamento da terra. As condições reinantes no milênio serão quase semelhantes às existentes no Éden antes do pecado, no que diz respeito aos que fizeram parte da primeira ressurreição e que se encontram em corpos glorificados e que já não estão mais sujeitos ao pecado.
Mas, os descendentes daqueles crentes que entraram no milênio vindos da Grande Tribulação, e eles próprios, que não passaram pela morte, estarão sujeitos ainda ao pecado, tal como nós no presente. E estes também gerarão filhos não eleitos, que não estarão sujeitos à intensidade de tentações em razão do governo justo de Cristo e do fato da ausência de Satanás e dos demônios, mas a carnalidade deles se manifestará no final do período dos mil anos, quando Satanás for solto e seduzi-los para lutarem contra o governo de Cristo e dos seus santos.
Se este mundo é um lugar bonito mesmo estando amaldiçoado, imagine como será quando a maldição for retirada e o Senhor restaurar todas as coisas.
Bem, como vimos não se pode admitir à luz de toda a revelação uma outra interpretação verdadeiramente bíblica para o milênio, senão a pré milenista, que acabamos de enfocar. Os chamados pós milenistas creem que as coisas melhorarão e a igreja dominará algumas das instituições humanas, e isto fará com que haja um governo de justiça na terra.
Alguns deles são chamados os teólogos do reino e eles acreditam que de alguma maneira a igreja vai ganhar grande poder de milagres, e que por este poder nós vamos superar os demônios e vencer os poderes das trevas de um modo definitivo. A igreja estabelecerá o reino. O fim não virá porque as coisas melhorarão. Mas sabemos que o fim virá porque as coisas se tornarão piores.
A igreja nunca conquistará os reinos deste mundo, a igreja nunca assumirá as instituições sociais deste século, sem que haja uma intervenção direta do próprio Cristo na Sua segunda vinda. Por isso somos chamados a pregar o reino que se manifestará na segunda vinda do Senhor, a exercer o ministério da reconciliação do pecador com Deus, e não simplesmente levantar bandeiras de movimentos moralistas com vistas a reformar a sociedade. Este mundo não melhorará enquanto o ímpio não for desarraigado da terra, e somente Cristo poderá fazer isto, pelo Seu próprio poder; e Ele o fará no momento oportuno.
Por isso somos pré milenistas, como claramente a revelação é pré milenista, porque aguardamos a Cristo para a inauguração do Seu reino milenal sobre a terra.
E há ainda os amilenistas, que não creem que haverá qualquer reino milenal.  
  
VIII - Novo Céu e Nova Terra
Agora, olhemos para uma alteração sem precedentes e que Jesus cita em Mt 24.35, em que Ele diz que depois da sua vinda com poder e muita glória “passará o céu e a terra”. Isso é uma declaração clara de que o céu e a terra atuais serão destruídos, e no lugar deles haverá uma nova criação, de um novo céu e de uma nova terra. 
Pedro diz como isto vai acontecer:
“Virá, entretanto, como ladrão, o dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas.
Visto que todas estas cousas hão de ser assim desfeitas, deveis ser tais como os que vivem em santo procedimento e piedade, esperando e apressando a vinda do dia de Deus, por causa do qual os céus incendiados serão desfeitos, e os elementos abrasados se derreterão.” (II Pe 3.10-12).
A palavra no grego para estrondo ou barulho, é rhoizedon que significa o som de crepitação. É usada para descrever um som zumbindo produzido por movimento rápido pelo ar. Em outras palavras, os céus começarão a se desintegrar com um estrondo. E é o estrondo de uma explosão nuclear. E é bem possível que Deus use a fissão nuclear do átomo para desintegrar o universo, como é dito por Pedro que os elementos abrasados se derreterão. Os elementos atômicos básicos começaram a derreter, enquanto liberam intenso calor. A terra será atingida por isto. A Palavra diz que os céus se enrolarão como um rolo de pergaminho. Isto significa compressão e não expansão. Encolhimento. Redução.
No verso 11, ele diz, que a terra e as obras que nela existem serão atingidas. O verbo no grego para “atingidas” é lúo, que significa desatar, soltar, desprender. O poder de coesão dos elementos pelo Senhor pela palavra do seu poder, como já vimos em Hebreus 1, será alterado. Os elementos serão soltos, desprendidos, esta coesão que garante a sua estabilidade será modificada, e tudo se desfará. Agora, isso é uma alteração sem precedentes do universo e isso está a caminho.
No fim do milênio, e depois do juízo de Deus sobre todos os ímpios, João fala a partir de Apo 21.1 de um novo céu e uma nova terra. E este processo de recriação será feito em duas fases. Na segunda vinda de Jesus haverá uma modificação no universo. E, ao término do milênio haverá uma recriação total de um novo céu e de uma nova terra que são eternos. Durante o Reino milenal será uma terra restaurada, e assim também o universo, como afirma a própria Palavra. Mas, no estado eterno final há uma nova criação, algo que não foi restaurado, mas refeito completamente, para ser a habitação eterna dos justos, por não mais existir nem morte, nem pecado, nem incrédulos, nem Satanás, nem demônios, nesta nova terra. E poderoso é o Senhor para fazer novas todas as coisas.
Alguns pensam que tudo será destruído pelo próprio homem com suas armas atômicas. Mas veja que será todo o universo que se desfará. Isto não será feito pelo homem, é Deus quem o fará.
Em Is 34, lemos: “Todo o exército dos céus se dissolverá, e os céus se enrolarão como um pergaminho; todo o seu exército cairá, como cai a folha da vide e a folha da figueira.”
Deus destruirá, para fazer algo inteiramente novo.
Podemos ver o dia profético do Senhor em duas fases, porque para Ele mil anos são como um dia. A primeira fase, na segunda vinda de Jesus, e a segunda, ao término dos mil anos, quando fará novos céus e nova terra. Na visão profética, isto pode ser dado como um só evento aos olhos de Deus. Assim como temos isto no texto de II Pe 3.10-12. Ele fala do dia do Senhor, e ali se refere tanto à segunda vinda, quanto à criação do novo céu e nova terra, como se fosse um só evento. Isto porque este é o propósito revelado do Senhor, de fazer novas todas as coisas, a partir da segunda vinda de Jesus.   
Em Apo 8.7  temos uma pequena amostra do que irá ocorrer no final do milênio. Aqui se descreve o que irá acontecer no período da Grande Tribulação próximo da segunda vinda de Jesus, mas, como dissemos, é uma pequena demonstração da destruição final quando do término do milênio:
“O primeiro anjo tocou a trombeta, e houve saraiva e fogo de mistura com sangue, e foram atirados à terra. Foi, então, queimada a terça parte da terra, e das árvores, e também toda erva verde.”
Os juízos relativos ao toque da segunda e terceira trombetas trouxeram também, fogo sobre a terra. É descrito também que a destruição final dos ímpios no término do milênio será também com fogo que descerá do céu para consumi-los (Apo 20.9). É bom, portanto que aqueles  que resistem quanto à probabilidade da ocorrência destes eventos com larga destruição da terra pelo fogo de Deus, se lembrem que o Senhor já deu mostras suficientes de destruição pelo fogo no passado, quer em Sodoma e Gomorra, quer entre os próprios israelitas rebeldes nos dias de Moisés. Saía fogo da parte do Senhor sobre eles, para que ninguém duvide que Ele fará uma destruição final pelo fogo por causa do pecado.
Por isso se lê em II Pe 3.7: “Ora, os céus que agora existem , e a terra, pela mesma palavra têm sido entesourados para fogo, estando reservados para o dia do juízo e destruição dos homens ímpios.”. E isto ele fará na segunda vinda de Cristo. E também, pelo fogo, destruirá todas as obras da terra e o universo, no final do milênio para criar novo céu e nova terra.

IX - A Eternidade 
Depois do Grande Julgamento do Trono Branco, somente a Trindade, os anjos eleitos, e os santos resgatados permaneceram no terceiro céu, que é a habitação do Deus Altíssimo. O universo, que é designado por céu, e a terra que hoje existem foram inteiramente destruídos, e Deus fez um novo céu e uma nova terra. Os inimigos de Cristo, tanto anjos quanto homens foram lacrados para sempre no lago de fogo onde sofrerão agonias e tormentos eternos.
Jesus trouxe a Nova Jerusalém desde o terceiro céu até a nova terra criada, onde não existe, como já dissemos, mais nenhum pecado. Então, o próprio Deus desceu à terra para viver para sempre com o homem resgatado (Apo 21:1-3). 
A vida no estado eterno está perfeita. Não há mais morte, nem  luto, nem choro ou dor (Apo 21.4). Então se cumprirá a palavra de Is 65.17:
“Pois eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá lembrança das cousas passadas, jamais haverá memória delas.”
Quando Pedro se refere ao novo céu e à nova terra, a palavra utilizada no grego é kainos, que significa novo em qualidade, não novo em cronologia, nem tampouco novo em ordem, mas novo em qualidade, diferente, um gosto que nós nunca conhecemos dantes.   
E nesta nova terra habita a justiça plena e perfeita, conforme é citado em II Pe 3.13. Uma justiça permanente, inalterável. 
Este é o mundo que nós esperamos. Este é o mundo que foi prometido a nós em Jesus Cristo. É isso que Deus tem preparado para aqueles que O amam.
O Senhor mesmo será a luz deste novo mundo, conforme se lê em Is 60.19 e Apo 21.23 e 22.5. Uma luz de glória espiritual e eterna que jamais acaba. O sol é um corpo físico natural que se gasta ao longo do tempo, mas a luz de Deus é eterna.  
Lemos em Apo 21.1-3:
“Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe.
Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo.
Então ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles.
“Eles serão povos de Deus e Deus mesmo estará com eles.”
Veja que a habitação de Deus está entre os homens e Ele se estabelecerá e estará em casa com eles.
Somente o Senhor é digno de todo o louvor e de toda a glória, porque somente Ele, pelo Seu próprio poder pode realizar e trazer à existência todas estas coisas. Tudo isto teremos recebido por graça, e simplesmente por meio da nossa fé em Cristo.
Todo o mérito é, portanto do Senhor, e por isso devemos adorar o Seu santo nome por  toda a eternidade.
 Maranata! Vem, Senhor Jesus.

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